A grande marcha

28/12/2016

Por Renato Uchôa, Educador
Por Renato Uchôa, Educador

Lampião abriu a porta do Sertão. Escancarou. Com a ponta do fuzil. Não pediu voto a ninguém. Governador do Sertão assinou o próprio título escrevendo com o punhal. Perambulou por décadas (1918/1938), em uma época em que a Lei do mais forte ditava as regras. Os ricos latifundiários dominavam o poder político, econômico, o judiciário e tinham a polícia no patuá. Alguma coisa mudou? Quem manda no Brasil?

Uma briga de famílias ditou o destino de Lampião. Teve a mãe e o pai mortos pela polícia. E se tornou um grande estrategista militar para se vingar. Assustando até as almas penadas. Deixou um rastro de sangue na cobrança do que achava que tinha direito. A história ainda procura nos rastros: a bondade, a valentia, a crueldade, o posicionamento em favor dos pobres, e o motivo dos vários que sangrou. Afilhado de Padre Cícero se tornou um mito, cantado em prosa e versos pelos feitos. Todos os dias, sem exceção, é só ir nas feiras do Nordeste e escutar um cantador de viola. Lampião (Virgulino Ferreira da Silva) tem audiência garantida.

Para atacar Mossoró realizou a Grande Marcha, quase 500km. Nunca feito a uma cidade com muitas espinhas de peixe (Igrejas). Lampião sempre dizia "Cidade com mais de duas torres não é para cangaceiro". Não se sabe se o juiz Moro conhece a história de Lampião, quando iniciou também sua Grande Marcha da Vergonha desde que instalou a Operação Lava Jato. Para trucidar o PT sem pudor, sem a observância das Leis, e no final concretizar o principal objetivo. Maquiado pela balela de combater a corrupção. Fosse assim vários amigos e simpatizantes seus estariam nas prisões do Brasil. Nas Minhas Casas, Minhas Prisões. Prender Lula sem provas e oferecer a cabeça em uma bandeja no banquete das elites brasileiras.

Moro tem os traços das Volantes de Zé Rufino e do Tenente Bezerra...que trucidaram centenas no Sertão do Nordeste. Torturaram, arrancaram unhas, sangraram com licença para matar. Ele tem licença do Supremo para caçar qualquer um que use a estrela do PT. Não hesitaria se pudesse fazer uma exposição macabra da cabeça de Lula. Faz de outra forma. Que caracteriza o cangaço invertido de uma parte da justiça da Era Digital. Prender e arrebentar sem provas, e não corta só a cabeça na Exposição Macabra diária, com ajuda da mídia venal. Usa a caneta de ouro como um punhal de prata e dilacera vidas de famílias inocentes.

Foi assim com a cunhada de Vaccari. Marice Corrêa de Lima, foi assim com o ex-diretor da OAS Mateus Coutinho de Sá condenado por corrupção, lavagem de dinheiro e pertencer uma organização criminosa, foi assim com Lula e tantos outros. Mateus foi absolvido por unanimidade pelos desembargadores da 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Ainda existem homens e mulheres de coragem na combalida Justiça Brasileira, e merecem todo o nosso respeito. Ao contrário de um outro julgamento do TRF-4, que por 13 votos a 1 inocentou o juiz Moro de um crime brutal contra a democracia brasileira. Vaccari foi inocentado no Caso Bancoop. A juíza Cristina Ribeiro não encontrou nenhuma prova da denúncia formulada pelos promotores da terra das Gangues da Merenda Escolar e do Metrô... pelos crimes de lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, estelionato e falsidade ideológica. Responde ainda na República Corrupta do Paraná ao juiz fascista Moro. Foi assim com Zé Dirceu e tantos outros que apodrecem nas prisões. São prisões fora da Lei, feitas por agentes da Lei que se comportam fora dela.

O juiz Moro praticou um crime de espionagem (reconhecido pelo Inepto STF) quando divulgou as gravações ilegais entre Lula e Dilma, e dezenas de advogados. O PT amarelou, era para pegar "o cabra" como dizia Lampião. Prender como qualquer país do mundo faria. Como pode um grupo de desembargadores justificar um crime tão grave e ainda afirmar que ele o juiz pode continuar à margem da Lei, se comportando como um fora dela? O nosso respeito ao desembargador Rogério Favreto que enfrentou a sucursal de Moro na justiça selada no curral das Elites.

Mateus Coutinho de Sá sofreu por meses tortura psicológica, depressão, ameaça policial que não viria mais a filha, casamento desmoronado. Vidas e vidas destruídas por suspeita de uma mente malvada, sem piedade, parcial, sem o menor respeito às leis do país e aos direitos humanos. Talvez não conheça a história de Lampião, com certeza conhece os Manuais da Cia para desestabilizar governos democráticos como fez destruindo a economia, com desemprego nas alturas. Em favor de prepostos da grife do Temer ou de FHC. Que vem aí com a maior cara de pau para assumir a presidência por eleição indireta.

Lampião sofreu a maior derrota da sua vida de cangaço. Determinação do prefeito da cidade de Mossoró Rodolfo Fernandes que não acreditava nas Volantes violentas, criou a Guarda Municipal, diferentes das que têm hoje nas prefeituras do Brasil para açoitar trabalhadores nas ruas que buscam honestamente o sustento de suas famílias. Sempre acreditou no ataque e se preparou. Ao contrário do PT que nunca acreditou no Golpe, e foi cozinhando o galo. Ministro da Justiça com uma atuação pífia, que deixou rolar a onda de fascistas na prática de vários crimes contra o Estado Democrático, em nome de um tal de Republicanismo. Até mesmo dentro da Polícia Federal Política, com diretor de carteirinha do PSDB. Deu no que deu.

O juiz Moro também. Abatido no senado pela coragem de Lindenberg Farias, Roberto Requião... e o coiteiro do Golpe Gilmar Mendes. Uma taca de Jucá Pereira dos Santos (cassete de madeira) no juízo fascista do juiz. Uma pisa segura como se diz no Nordeste. Acuado no fogo cruzado não teve para onde correr. Tremelicando, grudou na cadeira. Tenso, pasmo, desorientado, foram momentos de terror. Os olhos não negam. Lá em Mossoró para lampião, e no senado para o juiz fascista Moro. Reduzido a sua insignificância para a democracia brasileira. Mas... ponta de lança no golpe que roubou o mandato da presidenta Dilma.

Mossoró tem história, é terra de mulheres guerreiras, já em 04/09/1875, mais de trezentas mulheres marcaram um dos dias mais belos da história. Se recusaram a deixar seus maridos e companheiros lutar na guerra do Paraguai, um genocídio a mando da Inglaterra. Contra a obrigatoriedade do alistamento militar, para dizimar o povo do Paraguai. Foram para a luta contra, fizeram de refém o escrivão, rasgaram em praça pública o livro de recrutamento. O movimento se alastrou pelo Nordeste. Um registro importante da liderança Joaquina de Souza, Maria Filgueira e Anna Rodrigues Braga, conhecida como Anna Floriano. É daqui que vem a força de milhões de mulheres brasileiras no enfrentamento do Estado de Terror de Temer e do comandante da Volante da Justiça selada no curral da Elite o juiz Moro.

Lampião foi morto com vários do bando em 28 de julho de 1938 na Fazenda Angicos, em Sergipe. Pego de surpresa, um tiroteio violento, e a degola de Maria Bonita, Quinta-Feira, Mergulhão.... Tiveram suas cabeças cortadas em vida. O tenente João Bezerra comandante da Volante foi quem ordenou que os onze cangaceiros mortos tivessem suas cabeças cortadas para a Exposição Macabra que percorreu o nordeste, e só em 1964, por decreto, por força de um clamor popular e do clero, forram enterrados. Lampião e Maria Bonita antes, e depois os demais participantes do bando.

O juiz Moro comanda a Volante da Justiça na caçada mais abjeta a um presidente que mudou a história do país e atende pelo nome de Luís Inácio da Silva. Com os promotores de lá. Especuladores do Programa Minha Casa, Minha Vida; Esconde os Bacanas da Operação Banestado, Delegados da Polícia Federal partidários de Aécio Neves... e gordos contracheques no bolso. É uma bomba das camadas dominantes para destruir o ordenamento jurídico com a imposição das 10 medidas para sangrar as camadas subalternas baseado em provas ilícitas.

O senado mostrou para o judiciário e MP a cor da chita, a medida da alpargata, como dizia Vó Inézia. Não vamos fazer como o capitão Virgulino (Lampião) no ataque a Mossoró. Precisamos nos organizar para derrubar o Estado de Terror e tomar de volta o Estado Democrático que ajudamos a criar. Só depende de nós. Estamos abandonados à própria sorte com o estado letárgico do STF e demais Tribunais de Exceção da Justiça.

"Olê muié rendera. Olê muié rendá. Tu me ensina a fazê renda. Que eu te ensino a guerrear". Resistir e derrotar o golpe é preciso.

Conteúdo recomendado: